É estranho parar e pensar que uma vez pensei que tivesse ultrapassado algumas das minhas maiores dificuldades. Nunca foi uma atividade muito fácil me relacionar. Desde pequeno, quando tinha muito jeito "viadinho", era muito complicado estabelecer um limite claro de até onde as pessoas poderiam ir comigo. Houve épocas de extrema solidão na infância. Tinha medo de me aproximar muito. Qualquer hora alguém ia me sacanear e eu não conseguiria reagir. Meus pais falavam: toma uma atitude, não deixa isso acontecer, faz que nem fulano, faz que nem cicrano. Nunca consegui.
E nada parecia ter muito jeito. As notas eram baixas, eu não tinha amigos.
Com meu primeiro namorado, as coisas fugiram muito do controle. O cara fez dívidas no meu nome, a gente tinha uma relação esquisita de maus tratos, de tortura psicológica. A história acabou e eu estava endividado e em frangalhos.
Veja bem, não sou vítima. Assumo que é dificuldade minha não saber dar limites às pessoas. Isso apareceu na minha análise essa semana.
Quando emagreci, achei que tinha conseguido vencer isso. Que nada. Só fiquei mais agressivo com as pessoas. Dando foras, sendo estúpido e mal educado.
E, na verdade, essa tem sido a minha saída ultimamente: a agressividade, a perda de cabeça, a loucura.
Eu sou louco, as pessoas são muito loucas. Cada vez mais acredito que para viver é preciso ser como em sala de aula: atento, ligado, tenso. Assim como os alunos que querem o tempo todo desrespeitar as regras, não por serem maus, mas por talvez isso ser uma imposição inata deles, as pessoas nos testam o tempo inteiro para saberem se podem ter ou não determinadas atitudes conosco.
Vivo uma relação intensa e apaixonada com uma pessoa linda, mas cheia de defeitos que, quando quer ser mau e ultrapassar um limite, não pensa duas vezes. Eu, por outro lado, volto aos meus problemas de antes e não sei como lidar com isso. Fico louco, agressivo.
Talvez eu seja muito duro comigo, mas não agüento mais viver assim. Não tenho mais o direito de me perder, de me enrolar, de ficar com a vida atravancada por não saber lidar com o mundo. Meu companheiro, na última vez em que brigamos, acusou-me de ser uma pessoa sem atitude. E o que mais dói é saber que isso é verdade. Inclusive ao me relacionar com ele.
Foda, cara. Preciso resolver isso.
domingo, 10 de agosto de 2008
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Eu tenho viajado sem tomar nada. Bom isso. Ou loucura, sei lá. Basta ligar a lavalamp do meu quarto e ficar olhando aquela bolha laranja flutuar no meio da luminária, ou andar no túnel Rebouças de madrugada na pista do meio sem nenhum outro carro por perto (claro que só faço isso de carona), ou ficar hipnotizado observando as visualizações do Itunes, ou ficar admirando o mar quando passo no elevado do Joá. Tudo muito bom.
Tanto tempo de silêncio significa que tenho andado menos verbal. Cansado de palavras, sabe? Não tenho muito a dizer. Por isso, não vivo mais online, não ligo tanto para as pessoas. Faz-me bem ficar quieto. Já basta a verborragia da análise, já basta falar o dia inteiro com alunos, já basta corrigir tanta redação, já basta um mestrado em literatura.
Aqui em casa tem uns vídeos muito loucos. Às vezes a gente liga e eu fico meio lobotomizado vendo: nenhuma palavra.
O Jurandir Freire Costa anda estudando a "cultura de sensações", ou "cultura do prazer", algo assim. Li um breve artigo sobre, não me aprofundei. Só sei que ele julga negativamente. Sei lá. Tenho curtido simplesmente sentir o que os estímulos sonoros, táteis e, principalmente, visuais têm me despertado. E não me dá muita vontade de ficar elaborando sobre.
Ou dá, né? Afinal, estou escrevendo isso tudo aqui.
Que contradição.
Credo.
Tanto tempo de silêncio significa que tenho andado menos verbal. Cansado de palavras, sabe? Não tenho muito a dizer. Por isso, não vivo mais online, não ligo tanto para as pessoas. Faz-me bem ficar quieto. Já basta a verborragia da análise, já basta falar o dia inteiro com alunos, já basta corrigir tanta redação, já basta um mestrado em literatura.
Aqui em casa tem uns vídeos muito loucos. Às vezes a gente liga e eu fico meio lobotomizado vendo: nenhuma palavra.
O Jurandir Freire Costa anda estudando a "cultura de sensações", ou "cultura do prazer", algo assim. Li um breve artigo sobre, não me aprofundei. Só sei que ele julga negativamente. Sei lá. Tenho curtido simplesmente sentir o que os estímulos sonoros, táteis e, principalmente, visuais têm me despertado. E não me dá muita vontade de ficar elaborando sobre.
Ou dá, né? Afinal, estou escrevendo isso tudo aqui.
Que contradição.
Credo.
domingo, 4 de maio de 2008
Congresso da escola católica na sexta e no sábado do feriadão: ai, que tristeza. Aquela coisa: tinha que ir. Não era obrigado, mas tinha que ir.
A escola onde ele ocorreu ficava na Usina, uma parte da Tijuca ao lado do Borel. Muito perigoso, todos diziam. Uma propriedade linda, que fica no alto, perto da floresta... Fui de integração metrô-ônibus, lendo Época, ouvindo música clássica na rádio Mec (descoberta boa...). Quando subi num bondinho para onde ocorriam as palestras, fiquei feliz com a paisagem.
Quanto às palestras... Aff... Que modelo mais sacal de transmissão de conhecimento! Odeio powerpoint e seus gráficos horrorosos, odeio os palestrantes tentando se fazer de engraçados e dando lições de motivação, odeio ficar duas horas sentado no calor e em poltronas desconfortáveis!
Acho que é porque cansei mesmo de ser aluno. Até que não posso reclamar tanto. Tirando o mau humor, deu pra repensar algumas coisas na minha prática, no meu dia-a-dia na vida e em sala de aula. Um professor me disse, ao final de tudo, que também tentava mudar certas coisas, mas, quando via, estava fazendo as mesmas merdas de novo.
Quase falei que tenho análise uma vez por semana, percebo várias coisas que estão erradas no jeito que levo as coisas e vivo fazendo as mesmas merdas de novo. É a vida.
Mas acredito que cheguei a uma atitude diferente na minha relação com PK. Ele viajou pra SP no FDS pra se divertir. Passagem baratésima na TAM, eu fora dois dias inteiros, blábláblá. Um mês atrás acho que piraria. Chega dessa merda. Não largo dele, nem quero. Para quê ficar tentando mudar o cara o tempo todo? Gosto dele desse jeito mesmo, não é? Louco, estressado, focado, pirado, solto, livre. Deve ser por essas coisas que faltam tanto em mim...
Amanhã faz um ano que a gente se conhece e está junto. ele nem sabia, é claro. Só saquei por causa do blog. E parece que dá certo entre altos e baixos, términos, ficadas, amizades coloridas, trepadas, amigos-que-moram-junto, pessoas-que-dividem-a-vida-sem-rótulos, casamento, etc. Que doideira.
Quem diria, hein!
A escola onde ele ocorreu ficava na Usina, uma parte da Tijuca ao lado do Borel. Muito perigoso, todos diziam. Uma propriedade linda, que fica no alto, perto da floresta... Fui de integração metrô-ônibus, lendo Época, ouvindo música clássica na rádio Mec (descoberta boa...). Quando subi num bondinho para onde ocorriam as palestras, fiquei feliz com a paisagem.
Quanto às palestras... Aff... Que modelo mais sacal de transmissão de conhecimento! Odeio powerpoint e seus gráficos horrorosos, odeio os palestrantes tentando se fazer de engraçados e dando lições de motivação, odeio ficar duas horas sentado no calor e em poltronas desconfortáveis!
Acho que é porque cansei mesmo de ser aluno. Até que não posso reclamar tanto. Tirando o mau humor, deu pra repensar algumas coisas na minha prática, no meu dia-a-dia na vida e em sala de aula. Um professor me disse, ao final de tudo, que também tentava mudar certas coisas, mas, quando via, estava fazendo as mesmas merdas de novo.
Quase falei que tenho análise uma vez por semana, percebo várias coisas que estão erradas no jeito que levo as coisas e vivo fazendo as mesmas merdas de novo. É a vida.
Mas acredito que cheguei a uma atitude diferente na minha relação com PK. Ele viajou pra SP no FDS pra se divertir. Passagem baratésima na TAM, eu fora dois dias inteiros, blábláblá. Um mês atrás acho que piraria. Chega dessa merda. Não largo dele, nem quero. Para quê ficar tentando mudar o cara o tempo todo? Gosto dele desse jeito mesmo, não é? Louco, estressado, focado, pirado, solto, livre. Deve ser por essas coisas que faltam tanto em mim...
Amanhã faz um ano que a gente se conhece e está junto. ele nem sabia, é claro. Só saquei por causa do blog. E parece que dá certo entre altos e baixos, términos, ficadas, amizades coloridas, trepadas, amigos-que-moram-junto, pessoas-que-dividem-a-vida-sem-rótulos, casamento, etc. Que doideira.
Quem diria, hein!
segunda-feira, 28 de abril de 2008
É sempre assim. Antes de um dia de trabalho, sempre durmo pouco, afinal, dificilmente não tenho alguma coisa para fazer, seja prova para corrigir ou para elaborar, seja um planejamento, uma preparação de aula, coisas assim. Tenho dificuldade de concentração à tarde. E, geralmente, estou cansado demais porque dormi pouco na noite anterior, andei muito de ônibus pela cidade e lecionei seis tempos a manhã inteira usando de bastante força para poder controlar os alunos. Acaba virando um ciclo vicioso do sono não realizado.
Ontem fiquei preparando as trimestrais. Uma trabalheira do cão. O bom da madrugada é que estou tão desesperado para dormir que me concentro bastante, mas, infelizmente, só consegui me deitar 1h30min.
Acordei às 5h40min, pois tinha deixado tudo preparado: roupa passada e separada, mochila arrumada, sanduíches prontos para a merenda, suco light de maracujá na jarra, casa organizadinha.
6h20min peguei a van que me leva ao Recreio. Ela passa pontualmente a essa hora, com as mesmas pessoas, inclusive a Márcia, mas não conversamos essa manhã. Ela colocou um fone no ouvido e eu fiquei com os olhos fechados tentando dormir mais um pouco, mas não deu, pois as duas professoras de educação infantil de alguma escola da Barra não paravam de conversar alto. Elas todos os dias fazem isso, as malas. Já estou acostumado. Vacas.
Ao descermos a rua da escola, o Pauline nos ofereceu carona. Entramos no carro. Aquela coisa de "bom dia!" e "tudo bem?". Resposta inesperada dele: as coisas não estavam bem. Sua mãe havia morrido e ele acabara de receber a notícia. Vendo-o chorar pelo retrovisor, lembrei-me, inesperadamente, de que hoje é o aniversário da minha e que ela fica chateada se não damos logo os parabéns. De preferência, à meia-noite.
Caramba! Tão absorto estava nos meus afazeres e na minha rotinazinha que só assim lembrei dessa data!
Cheguei à escola, fui para sala de aula, liguei para mamãe (bateu uma saudade), distribuí os testes sobre o livro, falei pela 27a. vez que não era para consultar a obra, ouvi as lamentações dos que não leram, neguei segundas oportunidades, dei uma ou duas broncas, comecei a escrever este post à mão.
A vida adulta é dura, difícil. A gente trabalha pra caralho, tem que cuidar de si, pagar contas, manter a casa arrumada, levar bronca de chefe, fazer atividade física, comer bem, amar (e controlar os ímpetos da paixão), saber mexer com dinheiro!
Só lembrei do aniversário de minha mãe porque o Pauline perdeu a sua. Vira e mexe perco meu eixo com PK, não tenho dinheiro para porra nenhuma, engordei 4kg, estou novamento com provas e provas para corrigir. É angustiante!
Preciso arranjar um jeito de dar conta de tudo!
Ontem fiquei preparando as trimestrais. Uma trabalheira do cão. O bom da madrugada é que estou tão desesperado para dormir que me concentro bastante, mas, infelizmente, só consegui me deitar 1h30min.
Acordei às 5h40min, pois tinha deixado tudo preparado: roupa passada e separada, mochila arrumada, sanduíches prontos para a merenda, suco light de maracujá na jarra, casa organizadinha.
6h20min peguei a van que me leva ao Recreio. Ela passa pontualmente a essa hora, com as mesmas pessoas, inclusive a Márcia, mas não conversamos essa manhã. Ela colocou um fone no ouvido e eu fiquei com os olhos fechados tentando dormir mais um pouco, mas não deu, pois as duas professoras de educação infantil de alguma escola da Barra não paravam de conversar alto. Elas todos os dias fazem isso, as malas. Já estou acostumado. Vacas.
Ao descermos a rua da escola, o Pauline nos ofereceu carona. Entramos no carro. Aquela coisa de "bom dia!" e "tudo bem?". Resposta inesperada dele: as coisas não estavam bem. Sua mãe havia morrido e ele acabara de receber a notícia. Vendo-o chorar pelo retrovisor, lembrei-me, inesperadamente, de que hoje é o aniversário da minha e que ela fica chateada se não damos logo os parabéns. De preferência, à meia-noite.
Caramba! Tão absorto estava nos meus afazeres e na minha rotinazinha que só assim lembrei dessa data!
Cheguei à escola, fui para sala de aula, liguei para mamãe (bateu uma saudade), distribuí os testes sobre o livro, falei pela 27a. vez que não era para consultar a obra, ouvi as lamentações dos que não leram, neguei segundas oportunidades, dei uma ou duas broncas, comecei a escrever este post à mão.
A vida adulta é dura, difícil. A gente trabalha pra caralho, tem que cuidar de si, pagar contas, manter a casa arrumada, levar bronca de chefe, fazer atividade física, comer bem, amar (e controlar os ímpetos da paixão), saber mexer com dinheiro!
Só lembrei do aniversário de minha mãe porque o Pauline perdeu a sua. Vira e mexe perco meu eixo com PK, não tenho dinheiro para porra nenhuma, engordei 4kg, estou novamento com provas e provas para corrigir. É angustiante!
Preciso arranjar um jeito de dar conta de tudo!
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Sei lá quantos meses de silêncio. Fazia tempo que não dedicava ao blog a devida atenção, nem me sinto nesse compromisso. Ele existe, está no ar e quando der na telha, posto.
Agora deu na telha.
A razão do silêncio? Quem vai saber. Seja lá qual for, é a mesma que justifica meu sumiço do convívio de um monte de gente. Desculpas a todos. Cada dia mais só consigo justificar minhas falhas e imperfeições com a frase: Acho que sou maluco mesmo.
Estou absorto num monte de mudanças. E se alguém lê ou lia e ainda se lembra de alguma coisa, sempre disse que não sou uma pessoa muito afeita a transformações. Mesmo que sejam para melhor, mesmo que signifiquem evolução, mesmo assim. Demoro a me adaptar, a me acostumar, a gostar do que está diferente.
O que mudou? A casa, agora estou em Copacabana. O roomate, que agora é o PK. Um emprego, larguei o Mérder e estou numa escola católica no Flamengo. O "estado civil", de solteiro imerso em putarias, virei alguém que divide a vida com outrem numa relação aberta e conturbada.
Faço análise uma vez por semana, dei uma baita relaxada nos exercícios, engordei uns 4 kg, nunca estive tão endividado.
O momento é de crise e sempre volto a escrever quando me sinto tão perdido quanto agora. Acho que faz bem. É bom voltar a olhar melhor para mim mesmo e refletir sobre as coisas.
É isso. Voltemos a ver minha rotinazinha publicada.
Agora deu na telha.
A razão do silêncio? Quem vai saber. Seja lá qual for, é a mesma que justifica meu sumiço do convívio de um monte de gente. Desculpas a todos. Cada dia mais só consigo justificar minhas falhas e imperfeições com a frase: Acho que sou maluco mesmo.
Estou absorto num monte de mudanças. E se alguém lê ou lia e ainda se lembra de alguma coisa, sempre disse que não sou uma pessoa muito afeita a transformações. Mesmo que sejam para melhor, mesmo que signifiquem evolução, mesmo assim. Demoro a me adaptar, a me acostumar, a gostar do que está diferente.
O que mudou? A casa, agora estou em Copacabana. O roomate, que agora é o PK. Um emprego, larguei o Mérder e estou numa escola católica no Flamengo. O "estado civil", de solteiro imerso em putarias, virei alguém que divide a vida com outrem numa relação aberta e conturbada.
Faço análise uma vez por semana, dei uma baita relaxada nos exercícios, engordei uns 4 kg, nunca estive tão endividado.
O momento é de crise e sempre volto a escrever quando me sinto tão perdido quanto agora. Acho que faz bem. É bom voltar a olhar melhor para mim mesmo e refletir sobre as coisas.
É isso. Voltemos a ver minha rotinazinha publicada.
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