segunda-feira, 21 de junho de 2010

Casamentos

Fui convidado para o casamento de uma colega de trabalho para esses dias. Sempre tive implicância com esse tipo de comemoração, afinal a maioria das pessoas fica extremamente constrangida com a demonstração de afeto gay em público, enquanto celebra a união heterossexual com sacramento religioso e grandes festas.

Outro dia saquei que sou de uma geração que provavelmente não verá o casamento homossexual no Brasil. E eu falo casamento mesmo, porque não quero menos do que os outros.

...

Bom, chamou-me atenção o fato de esse convite ser individual. Parece que não é muito educado convidar um solteiro sem acompanhante. Entendo a economia... Casar não é barato e não tenho amigo que seja rico, mas lembrei que todos os convites de casamento que recebi enquanto morava com meu ex-namorado incluíam o nome dele.

Ironicamente ele quase nunca quis ir comigo. Tenho certeza de que tinha vergonha de se apresentar em público como casal. Ele era um imbecil, mas quem pode criticá-lo por isso?

Cara, como me dói viver num mundo assim. Porra!

Acho que ironia maior ainda é que a última vez que nos vimos como namorados foi numa festa dessas. Brigamos o tempo todo por todo o tempo que passamos juntos.

Será que existe algum jeito de parar de sentir tanta revolta e amargura? Desculpe o tom excessivamente dramático, mas não tenho outro para dizer sobre as coisas que estão agora aqui dentro. Nunca estive tão solitário e, ao mesmo tempo, tão desenganado com tudo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Aí estão as razões da minha síndrome de ermitão. Muito bom voltar pra casa.




quinta-feira, 27 de maio de 2010

Outro dia a Fernanda veio aqui me buscar para algum lugar enquanto eu ouvia Ventura. Fazia mais de ano que não ouvia. Ela chegou justamente na hora em que tocava "De onde vem a calma?". É uma espécie de hino para quando estou me sentindo muito solitário, saca?

"Olha esse sorriso tão indeciso
Esta se exibindo pra solidão"

Eu me imagino realmente me exibindo pra solidão.

Me dá uma vontade de chorar...

Finalmente o preconceito que ela tinha contra Los Hermanos passou no mesmo instante. O chato é que carregou meu CD e nem dá sinal de devolver.

Eu ando chorando bastante com músicas.

No momento estou ouvindo "Mais tarde" novamente, do disco solo do Camelo. Olha só o que ele diz:

"acho normal ver a vida feito faz o mar num grão de areia"

Tô com essa comparação na cabeça o dia inteiro.

"é de se entregar a sorte e todo mundo vai saber em ver
que o vai e vem pode ser eterno
pra ver quem manda
acho que não vai dar tô cansado demais
vou ver a vida a pé
acho normal tá no mundo feito faz o mar num grão de areia"

Que bonito isso. Não sai da cabeça.

De repente me deu uma saudade louca de Copacabana à noite. Queria estar lá do jeito que vivo agora: sozinho.
Fazia muito tempo que não tinha um domingo de paz. Leia-se por domingo de paz aquele em que eu basicamente fique em casa olhando o dia passar sendo seguido por toda a parte pelos cachorros.

Há dois domingos, aconteceu o dia das mães e fui ver a minha, obviamente. No da semana passada, uma grande amiga fez festa de aniversário que rendeu o final da manhã e a tarde inteira. Esse último era véspera do meu aniversário e a Fernanda resolveu chamar as pessoas para uma reuniãozinha aqui em casa.

Confesso que nos últimos dias andava triste da vida. Não via razão para comemorações. Sinto saudades da ingenuidade de alguns anos. A beleza das primeiras idades é a crença de que faremos tudo certo. Mesmo que tudo esteja errado. Entrar numa faculdade de Humanas ou Letras é desenvolver utopias de mundos perfeitos. Eu particularmente achava que dava conta: usar cinto de segurança, não fumar, ter uma boa relação com álcool e drogas, amar de maneira equilibrada, sempre usar camisinha, ser um cidadão que faz diferença no mundo, engordar jamais.

Pelo menos para mim, os trinta e dois anos são de desilusões.

Ok, esse blog deve sempre parecer deprê. Não é, porra. Não estou deprimido. Não vivo triste.

É uma sensação estranha ver que descumpri todas as regras que estabeleci para mim em algum momento.

Não dei conta de tudo.

E cá estou, como todo mundo, vivendo todos os dias tentando chegar lá: sabe-se lá Deus onde.

Do que quero dar conta agora? Da casa própria, sonho-da-classe-média que não sai da minha cabeça? De alguma relação perfeitinha e equilibrada? Adotar alguma criança?

Se tem alguma coisa boa em construir utopias é a esperança que se cria de que hoje será um dia bom, então acordo, cuido dos bichos, ando com eles e vou trabalhar. E trabalhar cansa, enche o saco, mas é tão bom sempre! Depois volto para a casinha, cuido dos cães, eles ficam perto enquanto faço qualquer coisa muito tola até dormir.

E percebo a coisa boa que é ter uma rotina.

Ah, nem sei se reclamo mais da falta dos domingos de paz, porque isso significa que estou em família, ou comemorando o aniversário de amigos queridos, ou que estou comemorando o meu próprio aniversário (sim, parece que vale a pena) com amigos queridos, família e cães por perto.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Mijo, urina, xixi: desespero

A marcação de território estava acabando comigo. Só que tem um cachorro mijão sabe do desgaste emocional pelo qual eu passava.

O quintal é de terra e, depois das chuvas que ficaram um bom tempo pela cidade, Miró resolveu fazer todas as necessidades na varanda. Os outros cães trazem areia indo de lá pra cá. Conclusão: lama de mijo e merda.

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A faxineira só vem uma vez por semana.

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Acreditamos que Miró tem o estranho e terrível hábito de se sentir bem com o odor de seu xixi. Ele mijou na sua caminha, na do Eugênio e na da Olívia. Ao lavar tanta coisa na máquina, um estofado se rompeu, entupindo os dutos na hora da centrifugação. Morri de vergonha quando o cara veio ajeitar o estrago.

A tragédia pior era dentro de casa. Já pensou passar pano quatro vezes com muito detergente em uma poça de mijo e o cheiro simplesmente não passar?

Chamei um excelente cirurgião indicado pela irmã da Fernanda, veterinária dos meus cães. Decidi que não havia jeito: mesmo velhinho, Miró teria suas bolas cortadas. Fui desaconselhado a fazer isso: provavelmente, meu cão não mudaria de comportamento agora nessa idade.

Tive uns dez segundos de desespero seguidos por um momento de resignação: eu passaria o resto da vida de Miró limpando seu mijo fétido. No entanto, o veterinário veio com uma solução inusitada:

- Já pensou em usar fralda de bebê nele? Lá na clínica fazemos assim para lidar com cães internados.

- Mas e como ele vai fazer cocô?

- Você não está entendendo. Prenda a fralda no entorno da barriga, escondendo o pinto e pronto!

Fui imediatamente comprar a tal fralda de bebê. Fora alguns acidentes, o recurso tem funcionado e minha vida está melhor.

Hoje vi Miró fazendo todo o movimento de quem está mijando na cama do Eugênio e na quina da porta da cozinha. Nenhuma gota respingando pela casa.

Sentimento de paz no coração.

Algumas pessoas ficam chocadas e penalizadas por Miró estar passando por essa humilhação. Gostaria de deixar meu belíssimo cão dois dias na casa delas sem usar fraldas. Gente cretina.