Fui ligar para cancelar os cartões de crédito e descobri que há algumas burocracias que tenho que resolver, uma vez que há milhas acumuladas e que um deles é vinculado à minha conta e só pode ser finalizado quando estiver dela dissociado.
Nesse meio tempo, enquanto o atendente verificava as milhas que tenho, aproveitou para falar que o meu cartão é o mais completo que há no mercado, que até me dá seguro para qualquer acidente em viagens internacionais. Fiquei impressionado com o nível do serviço e comecei a refletir que talvez não valesse a pena cancelá-lo.
Mas de repente me dei conta de como sou otário. Atualmente, mal posso viajar a Macaé. De que me serve esta merda de seguro internacional dos cambau?!
Humpf.
Hoje fui ao banco e verifiquei que minha renda está comprometida até 2015. Terei 37 anos até lá. Fernanda me disse que é fácil juntar dinheiro e pagar antes se eu aprendesse a economizar em tudo o que se imagina. Ela me disse que tem um prazer quase sexual em gastar pouco para construir algo.
Preciso descobrir esse prazer. Sou frígido nesse sentido e pago caro demais por isso!
segunda-feira, 23 de maio de 2011
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Vira-e-mexe fico terrivelmente desesperançoso com tudo no mundo e morro de tristeza.
Acho que isso tem um fundo bem fútil e se deve ao fato de que, entre outras coisas, quando vejo o preço dos imóveis no Rio de Janeiro, cada vez fica mais claro que o meu lugar é Jacarepaguá.
Isso se eu for muito otimista com as minhas possibilidades de crédito no ano de 2014, quando as minhas dívidas finalmente acabam e quando acho que será possível financiar algo minimamente interessante.
Tem um lado meu que não esquece a Zona Sul... Aquela coisa decadente e solta, perto de áreas de lazer fácil e cheia de gente bonita com a cuca fresca... Ai, ai.
Estou aqui expondo da maneira mais honesta possível uma das minhas facetas mais vergonhosas e que mais me custam caro na vida: essa tendência de sonhar com uma vida mais glamourosa e tentar vivê-la a (quase - porque nunca perco a honestidade) qualquer custo.
Seria tão bom se eu tivesse saído da casa dos meus pais com mais planejamento... Não devia ter ido a Laranjeiras. Não podia ter me apaixonado por um cara que só tinha uma capa interessante e uma tendência a buscar uma vida glamourosa parecida com a minha só que com muito menos caráter. Jamais, jamais, jamais poderia ceder ao impulso completamente imbecil de viver com ele em Copacabana.
Só que eu fiz isso tudo porque me deixei levar pelos meus delírios de consumo e não me enxerguei de frente e vi meu valor real financeiro e moral, porque, afinal, eu não tinha dinheiro para nada disso e não me tornei uma pessoa melhor por fazer tanta merda.
Não dá pra desfazer as tolices. O que tenho são R$1.200,00 descontados todos os meses do meu salário para pagá-las.
Mas há coisas boas e não posso esquecê-las. Há alguns poucos amigos que tentam me dar força para aguentar. E tem também os alunos cheios de possibilidades e de animação pra vida. Eles fazem minha desesperança ir embora com tanto idealismo e ingenuidade. Sem contar nos cães... Mas acho que é melhor falar menos disso, pois devo parecer meio louco na minha paixão por eles. Ah, e é preciso lembrar sempre das plantas...
Acho que isso tem um fundo bem fútil e se deve ao fato de que, entre outras coisas, quando vejo o preço dos imóveis no Rio de Janeiro, cada vez fica mais claro que o meu lugar é Jacarepaguá.
Isso se eu for muito otimista com as minhas possibilidades de crédito no ano de 2014, quando as minhas dívidas finalmente acabam e quando acho que será possível financiar algo minimamente interessante.
Tem um lado meu que não esquece a Zona Sul... Aquela coisa decadente e solta, perto de áreas de lazer fácil e cheia de gente bonita com a cuca fresca... Ai, ai.
Estou aqui expondo da maneira mais honesta possível uma das minhas facetas mais vergonhosas e que mais me custam caro na vida: essa tendência de sonhar com uma vida mais glamourosa e tentar vivê-la a (quase - porque nunca perco a honestidade) qualquer custo.
Seria tão bom se eu tivesse saído da casa dos meus pais com mais planejamento... Não devia ter ido a Laranjeiras. Não podia ter me apaixonado por um cara que só tinha uma capa interessante e uma tendência a buscar uma vida glamourosa parecida com a minha só que com muito menos caráter. Jamais, jamais, jamais poderia ceder ao impulso completamente imbecil de viver com ele em Copacabana.
Só que eu fiz isso tudo porque me deixei levar pelos meus delírios de consumo e não me enxerguei de frente e vi meu valor real financeiro e moral, porque, afinal, eu não tinha dinheiro para nada disso e não me tornei uma pessoa melhor por fazer tanta merda.
Não dá pra desfazer as tolices. O que tenho são R$1.200,00 descontados todos os meses do meu salário para pagá-las.
Mas há coisas boas e não posso esquecê-las. Há alguns poucos amigos que tentam me dar força para aguentar. E tem também os alunos cheios de possibilidades e de animação pra vida. Eles fazem minha desesperança ir embora com tanto idealismo e ingenuidade. Sem contar nos cães... Mas acho que é melhor falar menos disso, pois devo parecer meio louco na minha paixão por eles. Ah, e é preciso lembrar sempre das plantas...
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Ele fica cantando "Triste é viver só de solidão" e eu fico pensando no quanto ele está certo.
Hoje meus pais vieram aqui cuidar de mim. Mas foram tantas as vezes em que me senti sozinho com eles por perto.
Ontem meus amigos vieram me visitar. Mas foram tantas as vezes em que me senti sozinho com eles por perto.
Normalmente não tenho visitas. E são tantas as vezes em que me sinto sozinho sem ninguém por perto.
Se alguém me perguntar quais são meus planos hoje em dia, aquela coisa que a minha psicóloga afirma que faz a vida ter sentido, os projetos, eu direi que não tenho algum. Basicamente é ir vivendo e esperando essa desesperança passar.
Eu não tenho mais esperança. E ele fica cantando:
Triste é viver só de solidão.
Triste é viver só de solidão.
Triste é viver só de solidão.
Hoje meus pais vieram aqui cuidar de mim. Mas foram tantas as vezes em que me senti sozinho com eles por perto.
Ontem meus amigos vieram me visitar. Mas foram tantas as vezes em que me senti sozinho com eles por perto.
Normalmente não tenho visitas. E são tantas as vezes em que me sinto sozinho sem ninguém por perto.
Se alguém me perguntar quais são meus planos hoje em dia, aquela coisa que a minha psicóloga afirma que faz a vida ter sentido, os projetos, eu direi que não tenho algum. Basicamente é ir vivendo e esperando essa desesperança passar.
Eu não tenho mais esperança. E ele fica cantando:
Triste é viver só de solidão.
Triste é viver só de solidão.
Triste é viver só de solidão.
domingo, 13 de março de 2011
Eugênio
Só depois de muito tempo entendi que meu ex forçou tanto a barra para termos o cachorro porque queria com isso me prender. Acho que não enxerguei assim de cara por estar ocupado demais mendigando afeto de tão sem valor que eu me achava.
E por receber tão pouco eu também não sabia que estava tão ressentido. Então o feitiço virou contra o feiticeiro, pois só alguém terrivelmente insensível não percebe o valor extremado que qualquer cão dá ao seu dono. Comovi-me pela primeira vez quando acordei mais cedo para cuidar da sujeira do filhote que ficava na cozinha e depois deitei no sofá para terminar de dormir. O bichinho subiu e ficou encostadinho a mim.
E por incrível que pareça foi assim comecei a perceber que tinha valor.
Pela frase de efeito escrita acima parece que eu me acho de fato um cocô. Não é verdade... É sempre nas questões afetivas que me sinto assim: namoro, amizade, família. Acho que dá pra imaginar o porquê pelo histórico do blog.
Mas acho que mesmo com as humilhações, com a traição, com o abuso financeiro, foi só com o cachorro que comecei a ver que havia possibilidades fora daquela relação doente. E recebendo tanto amor, percebi o quanto me faltava na história que eu havia inventado. Não é à toa que às vezes acho que o Eugênio salvou a minha vida.
O Eugênio gosta de subir onde quer que eu esteja, depois suspira e encosta em qualquer parte do meu corpo. Ele fica me olhando com aquela idolatria. Depois relaxa e dorme.
Hoje eu o corrigi fisicamente num momento em que ele estava sendo terrivelmente inoportuno. Deu uma culpa pela agressividade... Sei lá. Eu devo muito a esse cão. Aos meus outros também. A todos os cães, porra!
É com eles que estou aprendendo a receber amor.
E por receber tão pouco eu também não sabia que estava tão ressentido. Então o feitiço virou contra o feiticeiro, pois só alguém terrivelmente insensível não percebe o valor extremado que qualquer cão dá ao seu dono. Comovi-me pela primeira vez quando acordei mais cedo para cuidar da sujeira do filhote que ficava na cozinha e depois deitei no sofá para terminar de dormir. O bichinho subiu e ficou encostadinho a mim.
E por incrível que pareça foi assim comecei a perceber que tinha valor.
Pela frase de efeito escrita acima parece que eu me acho de fato um cocô. Não é verdade... É sempre nas questões afetivas que me sinto assim: namoro, amizade, família. Acho que dá pra imaginar o porquê pelo histórico do blog.
Mas acho que mesmo com as humilhações, com a traição, com o abuso financeiro, foi só com o cachorro que comecei a ver que havia possibilidades fora daquela relação doente. E recebendo tanto amor, percebi o quanto me faltava na história que eu havia inventado. Não é à toa que às vezes acho que o Eugênio salvou a minha vida.
O Eugênio gosta de subir onde quer que eu esteja, depois suspira e encosta em qualquer parte do meu corpo. Ele fica me olhando com aquela idolatria. Depois relaxa e dorme.
Hoje eu o corrigi fisicamente num momento em que ele estava sendo terrivelmente inoportuno. Deu uma culpa pela agressividade... Sei lá. Eu devo muito a esse cão. Aos meus outros também. A todos os cães, porra!
É com eles que estou aprendendo a receber amor.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Tenho uma coisa a confessar: adoro trabalhar. Não tem jeito de eu ficar muito tempo desocupado e me sentir numa boa, não rola. O engraçado é que, como todo mundo, fico doido para voltar pra casa, sair mais cedo, etc., etc., etc. Entretanto, é tão bom saber que tenho que ir e fazer coisas, e ter ideias e tudo o mais.
Tenho escrito menos por isso. Ando bem cansado. Cansaço do bom... E também por que estou bem e tenho o péssimo hábito de escrever somente quando estou todo ferrado.
Trabalhar me faz bem. E olha que nem tem aluno ainda!
Tem outras coisas que acontecem e que me fazem bem também. Outro dia estava em casa e ouvi a faxineira chamando no portão. Ela chegou e havia um cachorro lá.
Olhei atônito: pretinho, pequenininho e sujinho. Senti aquilo que sempre dá quando cruzo com cachorro perdido na rua. Um misto de pena, vontade de fazer alguma coisa ou de simplesmente não me envolver. Olhei mais detidamente para ele e saquei que era filhote.
Acho que buscando alguma afirmação, liguei para a senhora que dá banho na minha matilha. Ela disse:
Pega! Foi São Francisco de Assis que mandou pra você.
De fato, pensei que não tinha sido à toa que ele teria parado justo ali. Peguei-o, levei para o banho, liguei para a veterinária vir vacinar, fui para o pet comprar as primeiras necessidades: vermífugo, comida de filhote e anticarrapaticida. Chegando lá, perguntei se poderia colocar um daqueles pôsteres de cães para adoção. A atendente, que já me conhece, disse que sim. Fiquei resmungando para mim mesmo que eu era doido, que obviamente o bicho ficaria enorme e que por isso dificilmente arranjaria dono para ele. Ouvindo isso, a moça do pet falou:
Mas tem um rapaz justamente procurando um vira latas filhote de porte grande para fazer companhia à cadela dele! Deixou telefone e tudo!
O fim da história é feliz. O bichinho já tem dono! Assunto resolvido em menos de uma semana. :)
Quando o rapaz veio buscá-lo, senti uma coisa bacana. Faz bem ver que coisas bacanas e simples podem acontecer depois da tempestade.
:)
Tenho escrito menos por isso. Ando bem cansado. Cansaço do bom... E também por que estou bem e tenho o péssimo hábito de escrever somente quando estou todo ferrado.
Trabalhar me faz bem. E olha que nem tem aluno ainda!
Tem outras coisas que acontecem e que me fazem bem também. Outro dia estava em casa e ouvi a faxineira chamando no portão. Ela chegou e havia um cachorro lá.
Olhei atônito: pretinho, pequenininho e sujinho. Senti aquilo que sempre dá quando cruzo com cachorro perdido na rua. Um misto de pena, vontade de fazer alguma coisa ou de simplesmente não me envolver. Olhei mais detidamente para ele e saquei que era filhote.
Acho que buscando alguma afirmação, liguei para a senhora que dá banho na minha matilha. Ela disse:
Pega! Foi São Francisco de Assis que mandou pra você.
De fato, pensei que não tinha sido à toa que ele teria parado justo ali. Peguei-o, levei para o banho, liguei para a veterinária vir vacinar, fui para o pet comprar as primeiras necessidades: vermífugo, comida de filhote e anticarrapaticida. Chegando lá, perguntei se poderia colocar um daqueles pôsteres de cães para adoção. A atendente, que já me conhece, disse que sim. Fiquei resmungando para mim mesmo que eu era doido, que obviamente o bicho ficaria enorme e que por isso dificilmente arranjaria dono para ele. Ouvindo isso, a moça do pet falou:
Mas tem um rapaz justamente procurando um vira latas filhote de porte grande para fazer companhia à cadela dele! Deixou telefone e tudo!
O fim da história é feliz. O bichinho já tem dono! Assunto resolvido em menos de uma semana. :)
Quando o rapaz veio buscá-lo, senti uma coisa bacana. Faz bem ver que coisas bacanas e simples podem acontecer depois da tempestade.
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