Dia dos professores. Feriado para alguém como eu. Entretanto, atualmente levo uma vida que jamais imaginei. Nunca, em tempo algum, trabalhei tanto, tanto, tanto. Daquele jeito de filme americano em que o pai não vai aos eventos de escola do filho e o menino fica lá com aquela cara de triste, enquanto o progenitor faz uma terrível expressão de culpa. Assim me sinto em relação ao cachorro.
Sim, tenho um cachorro: é lindo, é amoroso, é meigo, é carente, é destruidor. Deixou em frangalhos um livro da biblioteca da escola onde trabalho. Não controlei a fúria e agredi-o. Papai fez bem em aumentar meu mal estar com toda a situação ao afirmar pelo telefone:
"Ele não tem culpa: não raciocina. E já deve ser bem difícil para o bicho ficar tanto tempo sozinho. Não está acostumado. Pelo amor de Deus... Depois você fica aí pra baixo, etc., etc., etc."
De fato. Sinto-me mal com toda a situação. Antes não estava sozinho. Nem eu, nem o cão. Tínhamos um companheiro. Um companheiro cheio de questões que se meteram nas minhas próprias questões e aí todos ficaram ferrados, menos o cachorro que, por alguma bênção da natureza (espero aprender com ele), fica satisfeito com a vida, contanto que haja comida, água, poltronas confortáveis, passeios duas vezes ao dia e companhia. Não chego a estar solteiro, mas estou sozinho tocando a vida na Glória.
Sim, moro na Glória: é decadente, é sinistra, é assustadora, é longe, é barata, é Zona Sul. Dá pra ir andando a pé para o Largo do Machado e tem alguma coisa naquele lugar que me deixa feliz. Sei lá o que é.
E volto ao feriado. Para alguém que, como eu, só trabalha, trabalha, trabalha, isso serve para: ir ao banco, ir a todos os médicos possíveis, ir à farmácia.
Parece programa de índio (sem vergonha de não ser politicamente correto), mas estou contente com o fim do dia. Faz tempo que não me dedico a mim, que não faço o que quero, que não fico bem na minha solidão. Deu-me até vontade de ver filme e de escrever, veja só!
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
domingo, 9 de novembro de 2008
Odeio o fim do ano, mais especificamente o mês de novembro. É que detesto a idéia de não saber exatamente como serão as coisas no ano que vem com relação a empregos e afins. Inevitavelmente essa pergunta aparece agora. Vou continuar nas escolas novas? Surgirão outras oportunidades? Como ficará a grana?
A semana estava difícil por conta disso. Muita coisa na cabeça, muita responsabilidade, estava meio que pirando. Segunda botei tudo pra fora numa crise de choro. Coisa bem drama queen.
Mas é o que venho discutindo na análise: estou vivo e isso é basicamente o que importa. Sempre gostei da filosofia do aqui e agora. A única que tenho neste exato momento é meu pc, um som do Los Hermanos, um companheiro em surto criativo no outro cômodo, um cão lindo dormindo exaurido na sala e uma enorme vontade de escrever e dizer o quanto estou feliz.
Hoje foi e está sendo um dia bom. Encontro de galgos para fotos. Primeira vez que deixamos o Eugênio solto no meio de um parque. Fim de tarde com mergulho no Arpoador. Fazia meses que não ia ao mar, caramba! Comecei a lembrar do início do ano, das férias aqui em Copa. Ô sensação boa! Bom saber que o verão está chegando de novo. O povo me fala aquelas coisas que todo mundo fala sobre ter cães: "Ai, você ficará preso, não poderá viajar e tudo e blablablá!" e eu respondo: "Sou louco de sair do Rio no verão? Vou deixar de não ter um cão por causa de quinze dias por ano? Estão loucos?!"
Pois é, não sei como vivi tantos anos sem cachorro. Isso nunca mais vai acontecer. É muito, muito bom!
A semana estava difícil por conta disso. Muita coisa na cabeça, muita responsabilidade, estava meio que pirando. Segunda botei tudo pra fora numa crise de choro. Coisa bem drama queen.
Mas é o que venho discutindo na análise: estou vivo e isso é basicamente o que importa. Sempre gostei da filosofia do aqui e agora. A única que tenho neste exato momento é meu pc, um som do Los Hermanos, um companheiro em surto criativo no outro cômodo, um cão lindo dormindo exaurido na sala e uma enorme vontade de escrever e dizer o quanto estou feliz.
Hoje foi e está sendo um dia bom. Encontro de galgos para fotos. Primeira vez que deixamos o Eugênio solto no meio de um parque. Fim de tarde com mergulho no Arpoador. Fazia meses que não ia ao mar, caramba! Comecei a lembrar do início do ano, das férias aqui em Copa. Ô sensação boa! Bom saber que o verão está chegando de novo. O povo me fala aquelas coisas que todo mundo fala sobre ter cães: "Ai, você ficará preso, não poderá viajar e tudo e blablablá!" e eu respondo: "Sou louco de sair do Rio no verão? Vou deixar de não ter um cão por causa de quinze dias por ano? Estão loucos?!"
Pois é, não sei como vivi tantos anos sem cachorro. Isso nunca mais vai acontecer. É muito, muito bom!
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Acho que finalmente chegou a hora de tomar uma decisão.
Minha vida está de pernas pro ar. Minha cabeça, enlouquecida.
Não tiro minha respinsabilidade quanto ter ou não sanidade nas minhas atitudes, mas está foda pensar com clareza.
Estou com muita vontade de morar sozinho. Sozinho mesmo, sem ninguém por perto. Só eu.
Minha vida está de pernas pro ar. Minha cabeça, enlouquecida.
Não tiro minha respinsabilidade quanto ter ou não sanidade nas minhas atitudes, mas está foda pensar com clareza.
Estou com muita vontade de morar sozinho. Sozinho mesmo, sem ninguém por perto. Só eu.
domingo, 24 de agosto de 2008
Sexta pedi demissão na escola do Recreio. De repente apareceu uma oportunidade numa aqui perto de casa. De nome, tradicional, de freira, etc.
As coisas já não iam bem por lá fazia tempo. A insatisfação era grande e vivia dizendo que assim que surgisse algo não pensaria duas vezes.
Não pensei duas vezes.
Encostado na parede, disse tudo que me incomodava e por que, depois desses cinco anos, quis sair assim, em pleno agosto.
Essa é a minha última semana. E agora caiu a ficha. Quando olho meus alunos, os colegas, os inspetores, todo mundo...
Não consigo conter as lágrimas só de pensar que não farei mais parte daquele ambiente, que não conviverei mais com aquelas pessoas.
Foi lá que eu aprendi a ser professor, porra. Foi lá que tomei gosto pela minha profissão.
Por que as decisões sempre têm que ser tão difíceis de se tomar?
As coisas já não iam bem por lá fazia tempo. A insatisfação era grande e vivia dizendo que assim que surgisse algo não pensaria duas vezes.
Não pensei duas vezes.
Encostado na parede, disse tudo que me incomodava e por que, depois desses cinco anos, quis sair assim, em pleno agosto.
Essa é a minha última semana. E agora caiu a ficha. Quando olho meus alunos, os colegas, os inspetores, todo mundo...
Não consigo conter as lágrimas só de pensar que não farei mais parte daquele ambiente, que não conviverei mais com aquelas pessoas.
Foi lá que eu aprendi a ser professor, porra. Foi lá que tomei gosto pela minha profissão.
Por que as decisões sempre têm que ser tão difíceis de se tomar?
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Ontem resolvi fazer diferente e ir a Realengo de busu em vez de trem. Não queria correr o risco de ir em pé, sabe? E pensei que um daqueles expressos que vão pela seletiva da Brasil poderia ser mais rápido.
Peguei um tal de S-10 (Bangu) lá na Central. Perguntei ao motorista se passava na praça do Canhão, ele disse que sim. Entrei meio desconfiado. Sabe quando você tem a sensação de que foi respondido sem que houvessem ouvido a pergunta direito?
Primeiro choque: O ônibus estava lotado. Pensei que não havia problema, afinal, ia ser rapidinho mesmo, fazer o quê?
Segundo choque: Passamos direto pela saída de Realengo na Avenida Brasil. Meio constrangido, perguntei a algum pessageiro aonde iríamos parar. "Buraco do Fainha", ele disse. "Caralho", pensei.
Terceiro choque: Um velho-magrelo-desdentado-bêbado começou a xingar todo mundo. Que boca suja, cara! Ele ameaçadoramente ficava acendendo um isqueiro sei lá para quê. Até que uma senhora-idosa-de-70-anos-crente (como ela mesma fez questão de enfatizar) começou a bater boca com ele. Foi mais ou menos nessa hora que liguei para minha mãe para dizer que me atrasaria um pouco.
"Que barulheira é essa aí, meu filho?"
"Nem te conto..."
Assim que desliguei, houve uma parada para as pessoas descerem e, de repente, o povo começou a gritar:
"EXPULSA, PÕE PRA FORA!!!"
Uma mulher corpulenta e decidida se levantou do lugar e, aos empurrões, colocou o bebum na rua. Aplausos gerais, risadas, inícios de bate-papos... Aquela catarse de quem está numa situação horrorosa, mas que se diverte assim mesmo.
Essa cidade é louca, eu sou um idiota que vive se metendo em furada (e vou vendo no que dá até poder sair dela - leia-se o Buraco do Fainha), minha rotina é pauleira e fodida, mas estou feliz assim mesmo.
À noite, quando cheguei a Copa e saí da estação do metrô, vi umas pessoas tocando algum instrumento num bar, o povo andando descolado na rua, os mendigos da Bolívar, o meu prédio.... Agradeci a Deus por mais um dia e fui dormir bem.
Peguei um tal de S-10 (Bangu) lá na Central. Perguntei ao motorista se passava na praça do Canhão, ele disse que sim. Entrei meio desconfiado. Sabe quando você tem a sensação de que foi respondido sem que houvessem ouvido a pergunta direito?
Primeiro choque: O ônibus estava lotado. Pensei que não havia problema, afinal, ia ser rapidinho mesmo, fazer o quê?
Segundo choque: Passamos direto pela saída de Realengo na Avenida Brasil. Meio constrangido, perguntei a algum pessageiro aonde iríamos parar. "Buraco do Fainha", ele disse. "Caralho", pensei.
Terceiro choque: Um velho-magrelo-desdentado-bêbado começou a xingar todo mundo. Que boca suja, cara! Ele ameaçadoramente ficava acendendo um isqueiro sei lá para quê. Até que uma senhora-idosa-de-70-anos-crente (como ela mesma fez questão de enfatizar) começou a bater boca com ele. Foi mais ou menos nessa hora que liguei para minha mãe para dizer que me atrasaria um pouco.
"Que barulheira é essa aí, meu filho?"
"Nem te conto..."
Assim que desliguei, houve uma parada para as pessoas descerem e, de repente, o povo começou a gritar:
"EXPULSA, PÕE PRA FORA!!!"
Uma mulher corpulenta e decidida se levantou do lugar e, aos empurrões, colocou o bebum na rua. Aplausos gerais, risadas, inícios de bate-papos... Aquela catarse de quem está numa situação horrorosa, mas que se diverte assim mesmo.
Essa cidade é louca, eu sou um idiota que vive se metendo em furada (e vou vendo no que dá até poder sair dela - leia-se o Buraco do Fainha), minha rotina é pauleira e fodida, mas estou feliz assim mesmo.
À noite, quando cheguei a Copa e saí da estação do metrô, vi umas pessoas tocando algum instrumento num bar, o povo andando descolado na rua, os mendigos da Bolívar, o meu prédio.... Agradeci a Deus por mais um dia e fui dormir bem.
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