Ok, sempre reclamo exaustivamente do bairro em que moro: distância, provincianismo, falta do que fazer... Mas eu vivo no Rio de Janeiro, logo, por mais que Realengo seja um lugar de difícil acesso, posso fazer umas viagens bacanas, uns destinos legais e longínquos, tais como Botafogo, Ipanema, Santa Tereza...
Além disso, não sou maniqueísta. Enxergo o lado bom daqui: a sensação de segurança e de familiaridade que rola toda vez que solto do busu. Sinto-me em casa... Existem, praticamente desde que me entendo por gente, o trailer do cara gordão, o barbeiro da esquina, os correios, a auto-escola, o homem que vende frutas e verduras na calçada, o doidão que costura os jeans destruídos, as escolas (Estudei em praticamente todas do bairro. Minha mãe era meio pancada), etc. Não conheço essas pessoas por nome, nem elas a mim, mas todos nos reconhecemos e nos cumprimentamos.
É bom, sabe?
Daí que hoje fui almoçar na pensão de comida caseira super bem feita que freqüento há anos em situações de emergência, como quando o povo daqui de casa viaja. Estava começando a dar a primeira garfada e eis que todos param de comer ou de atender aos clientes por causa dos gritos histéricos que vinham da esquina.
Alguém tinha sido assaltado.
E percebi o espanto meu e de todos os presentes. Aqueles mesmos que não conheço pessoalmente, mas que me são familiares pela constância da presença na rotina.
Fomos traídos: um grupo de pivetes entrou num salão de beleza e limpou a carteira de todas as senhoras presentes. Eles vinham do outro lado* e, depois que chegassem lá, ninguém os alcançaria. Realengo não é mais aquele bairro calmo em que, nos domingos, os caras soltam pipa na avenida e as famílias fecham as ruas transversais e abrem as cadeiras de praia pra sentar e conversar tranquilamente sobre a vida sem se preocuparem com tráfico, bala perdida, guerra entre grupos rivais, etc.
Podemos ser assaltados aqui também.
E Deus sabe o que mais pode vir a acontecer daqui a alguns anos.
Sim, quero me mudar daqui por vários motivos, mas fico triste em imaginar que um deles poderia ser a violência.
:-(
* O subúrbio do Rio tem muitos bairros cortados pela linha do trem. Logo, sempre existe um
"outro lado" de Realengo, Campo Grande, Bangu... Em alguns casos, um lado é melhor do que o outro. Dentro da minha perspectiva, aquele em que moro é o melhor. O outro é mais problemático... Favelas, etc.
quarta-feira, 1 de junho de 2005
terça-feira, 31 de maio de 2005
Mochileiros wanna be
Então é assim: decidi finalmente conhecer face to face o meu mais antigo amigo virtual. 5 anos de tecladas, correspondência manuscrita, e-mails cheios de confidências e conversas divertidas por telefone deixarão de ser a regra única de nosso relacionamento. Faremos caminhadas sem destino por aí, aturarei a fumaça de cigarro que ele vai soltar toda vez que o vício bater, tomaremos sorvete e cerveja juntos.
A companhia cibernética desse cara é maravilhosa... Somos capazes de passar finais de semana inteiros conversando o tempo todo. Sendo, somente, interrompidos por necessidades fisiológicas mais importantes, como comer, dormir e ir ao banheiro. Entretanto, vai ter que existir um dia em que a presença seja física também, ora.
Daí que eu tinha decidido a passar as férias lá na serra gaúcha, mas ele veio com uma idéia melhor: fazermos a linha mochileiros no CHILE!
Quem me conhece sabe que sou meio pirado e aventureiro: topo tudo! Então dizer que concordei na hora é meio redundante, não é?
Podem me chamar de irresponsável ou o que mais quiserem. Não estou nem aí: eu mereço dar esse presente a mim mesmo. Nem vem!
E ninguém segura a choradeira drama queen total que vai ser o dia em que a gente se encontrar na rodoviária. Ô micão!
Mas deixa eu voltar pra minha dissertação que o tempo urge.
É isso.
Ao som de It’s not up to you, da Björk.
A companhia cibernética desse cara é maravilhosa... Somos capazes de passar finais de semana inteiros conversando o tempo todo. Sendo, somente, interrompidos por necessidades fisiológicas mais importantes, como comer, dormir e ir ao banheiro. Entretanto, vai ter que existir um dia em que a presença seja física também, ora.
Daí que eu tinha decidido a passar as férias lá na serra gaúcha, mas ele veio com uma idéia melhor: fazermos a linha mochileiros no CHILE!
Quem me conhece sabe que sou meio pirado e aventureiro: topo tudo! Então dizer que concordei na hora é meio redundante, não é?
Podem me chamar de irresponsável ou o que mais quiserem. Não estou nem aí: eu mereço dar esse presente a mim mesmo. Nem vem!
E ninguém segura a choradeira drama queen total que vai ser o dia em que a gente se encontrar na rodoviária. Ô micão!
Mas deixa eu voltar pra minha dissertação que o tempo urge.
É isso.
Ao som de It’s not up to you, da Björk.
domingo, 29 de maio de 2005
Ah, fala sério!
É assim, eu acho que sou bem resolvido nas relações familiares. É lógico que cada um de nós é tratado de uma maneira bem distinta aqui em casa, mas HELOOOOO, eu tenho 27 anos e estou pouco me fodendo para isso. Fico pensando que não era mais para estar aqui... Então, pra que encanar com esse tipo de coisa?
O chato é quando querem que você faça o mesmo... Aí eu fico puto. Tudo bem que a minha mãe não dá responsabilidades ao meu irmão com relação à limpeza da casa, está beleza que ela acorde às 7h da manhã pra fazer marmita pra ele trabalhar, sem problemas se ele só se levanta se um dos meus pais for chamá-lo 30 vezes... Eu não tenho nada com isso. Mas daí a querer que eu vá cozinhar pra ele, daí a me acordar no telefone acidentalmente às 8h da manhã num dia em que não trabalho porque eles estão viajando e têm que chamá-lo pra ir trampar, daí a eu sacar que se eu não lavar a louça que ele usou, não terei copos pra beber água é demais, né?
Tudo isso piora se percebo que não há respeito nas relações... É assim, eu decidi uma coisa na vida: não quero gente barraqueira perto de mim. Eu não gosto de favelice... Eu deixo as pessoas darem seu show sozinhas. Sei lá, sabe? É um direito que eu tenho. Então, se o preço que eu tenho a pagar é ignorá-las ou ser frio com elas, eu pago de bom grado. E é assim com todo mundo. Começou o show, eu calo a boca e, se acho que vale a pena, volto a conversar de uma maneira civilizada quando a crise tiver passado. Só que eu acho que às vezes não é o caso.
Daí a ter que tolerar, pelo telefone, soluções de comida para mim e para o meu irmão (claro que é pra ele, não pra mim), sermões sobre a importância da família unida e blábláblá é insuportável.
Porque não falar sobre divisão de tarefas, educação no trato, respeito ao espaço do outro e coisas afins?
Fala sério.
Eu tenho muita vontade de ir morar sozinho. E acho que mais cedo do que eu penso isso vai acabar rolando.
As pessoas vão fazendo com que eu me afaste delas e nem percebem isso.
E o mais foda é que quem fica com a fama de egoísta sou eu. Muito lindo!
O chato é quando querem que você faça o mesmo... Aí eu fico puto. Tudo bem que a minha mãe não dá responsabilidades ao meu irmão com relação à limpeza da casa, está beleza que ela acorde às 7h da manhã pra fazer marmita pra ele trabalhar, sem problemas se ele só se levanta se um dos meus pais for chamá-lo 30 vezes... Eu não tenho nada com isso. Mas daí a querer que eu vá cozinhar pra ele, daí a me acordar no telefone acidentalmente às 8h da manhã num dia em que não trabalho porque eles estão viajando e têm que chamá-lo pra ir trampar, daí a eu sacar que se eu não lavar a louça que ele usou, não terei copos pra beber água é demais, né?
Tudo isso piora se percebo que não há respeito nas relações... É assim, eu decidi uma coisa na vida: não quero gente barraqueira perto de mim. Eu não gosto de favelice... Eu deixo as pessoas darem seu show sozinhas. Sei lá, sabe? É um direito que eu tenho. Então, se o preço que eu tenho a pagar é ignorá-las ou ser frio com elas, eu pago de bom grado. E é assim com todo mundo. Começou o show, eu calo a boca e, se acho que vale a pena, volto a conversar de uma maneira civilizada quando a crise tiver passado. Só que eu acho que às vezes não é o caso.
Daí a ter que tolerar, pelo telefone, soluções de comida para mim e para o meu irmão (claro que é pra ele, não pra mim), sermões sobre a importância da família unida e blábláblá é insuportável.
Porque não falar sobre divisão de tarefas, educação no trato, respeito ao espaço do outro e coisas afins?
Fala sério.
Eu tenho muita vontade de ir morar sozinho. E acho que mais cedo do que eu penso isso vai acabar rolando.
As pessoas vão fazendo com que eu me afaste delas e nem percebem isso.
E o mais foda é que quem fica com a fama de egoísta sou eu. Muito lindo!
sexta-feira, 27 de maio de 2005
Presente de aniversário
Conversei vários dias com amigos diferentes sobre esse lance de fazer aniversário. É péssima a idéia que nos ensinam de que ele tem que ser um grande dia, como se fôssemos reis. Percebo que, a cada ano que passa, a gente vai dando menos bola pra isso, pois trabalho com crianças de quinta série e eles aguardam ansiosos por esse dia, e sabem de cor os nossos também:
Amanhã é seu aniversário, não é?
É, sim!
Parabéns adiantado!
Não faz assim que dá azar!
Nenhum adulto é assim... O pessoal do meu trabalho nem olha pra lista de aniversariantes do mês (eu, inclusive).
Então foi que eu tentei, mas não consegui. Estava me incomodando com a pasmaceira que estava sendo o meu dia... Pô, nada de incrível aconteceria? Não, pessoas, não estou sendo mal-agradecido pelos não sei quantos mil scraps que recebi, nem pelas ligações locais, interestaduais e intercontinentais que recebi (eu sou chic, sabe? Ligaram-me de Paris...), sem falar dos e-mails e dos cartões virtuais. Fiquei muito feliz com tudo isso, claro. Emocionado, até. Mas eu estava sozinho em casa, nenhum abraço, sabe? Queria carinho, companhia!
Daí que quando o Cramus ligou e perguntou:
Diz logo o que tu quer de presente!
E respondi com muita sinceridade:
Companhia!
E ganhei! :-)
Amanhã é seu aniversário, não é?
É, sim!
Parabéns adiantado!
Não faz assim que dá azar!
Nenhum adulto é assim... O pessoal do meu trabalho nem olha pra lista de aniversariantes do mês (eu, inclusive).
Então foi que eu tentei, mas não consegui. Estava me incomodando com a pasmaceira que estava sendo o meu dia... Pô, nada de incrível aconteceria? Não, pessoas, não estou sendo mal-agradecido pelos não sei quantos mil scraps que recebi, nem pelas ligações locais, interestaduais e intercontinentais que recebi (eu sou chic, sabe? Ligaram-me de Paris...), sem falar dos e-mails e dos cartões virtuais. Fiquei muito feliz com tudo isso, claro. Emocionado, até. Mas eu estava sozinho em casa, nenhum abraço, sabe? Queria carinho, companhia!
Daí que quando o Cramus ligou e perguntou:
Diz logo o que tu quer de presente!
E respondi com muita sinceridade:
Companhia!
E ganhei! :-)
quarta-feira, 18 de maio de 2005
Aviso aos navegantes
O nerd-wanna-be compulsivo que detém os direitos autorais deste blog está em quarentena cibernética até que consiga resolver seus problemas acadêmicos emergenciais. Não tem jeito: foi vetado à dulce o direito de se conectar à rede mundial.
Agradecemos, desde já, a compreensão e a colaboração dos amigos (recentes ou não!). Depois eu volto. Passa rápido.
Fui!
(Amanhã tem reunião com a orientadora. M-E-D-O!)
Agradecemos, desde já, a compreensão e a colaboração dos amigos (recentes ou não!). Depois eu volto. Passa rápido.
Fui!
(Amanhã tem reunião com a orientadora. M-E-D-O!)
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